selfies-aumentam-busca-por-tratamentos-estéticos

Imagine a seguinte cena: você está no melhor momento do seu sono e o seu despertador toca, avisando que já é hora de começar o dia. Tudo o que você mais quer é ficar na sua cama. Ainda meio sonolento, você pega o celular, desativa o despertador e começa a ler suas mensagens no WhatsApp. Qual o próximo passo? Dar aquela espiada no Instagram, é claro. Você começa a rolar o feed e é bombardeado de fotos de pessoas vivendo vidas bem melhores que a sua: alguns viajando pro exterior, outros de férias e muitos com a academia em dia, tomando seu suco detox e comendo frutinhas picadas. E lá está você: com o quarto bagunçado, lembrando que a pia tá cheia de louça e que o chefe vai cobrar o relatório mensal. Se identificou?

Pois é! Você não está sozinho. O hábito de navegar nas redes sociais está impactando diretamente a saúde mental de milhares de pessoas. Os posts com vidas aparentemente perfeitas, corpos esculpidos e pele impecável são gatilhos para alterar a percepção sobre sua própria vida e imagem. Cada vez mais, os pesquisadores têm se dedicado a entender as consequências desse fenômeno. O estudo “Selfie” harm: Effects on mood and body image in young women”, publicado em 2018,  analisou 113 estudantes entre 18 e 29 anos. Uma das principais conclusões foi de que o ato de tirar selfies e postá-las em redes sociais gerou uma piora no humor e na imagem corporal das participantes.

Segundo o dermatologista Gabriel Aribi, as alterações de percepção sobre si mesmo podem desencadear um problema de saúde chamado transtorno dismórfico corporal: “O transtorno acomete 2% da população mundial, mas este número está crescendo. Tenho visto cada vez mais na minha clínica, meninas jovens, com rostos perfeitos, que querem mudar alguma coisa, pois não enxergam sua beleza e estão preocupadas em envelhecer bonitas. Elas já estão lindas, não há o que melhorar na face, mas elas não conseguem ver isso. Neste momento percebo que se trata de um caso de transtorno dismórfico corporal.”, explica ele.

E por que as redes sociais podem desencadear essa percepção negativa de si mesmo? Porque as pessoas se comparam umas às outras, sem perceber que a imagem com a qual estão se comparando é, muitas vezes, uma imagem que não corresponde à realidade. “As pessoas não percebem que estão se comparando a uma imagem que passou por filtros e programas de edição. A pessoa fez 50 poses até escolher a que está com o corpo mais bonito e ainda editou a foto para esconder a acne e afinar a cintura. Além de também já ter feito algum tratamento estético. É justo?”, reflete o Dr. Aribi.

Não há uma receita para reduzir este impacto causado pelas redes sociais, mas ter a consciência de que estamos o tempo todo fazendo falsas comparações é um passo importante. “Precisamos ser mais lúcidos em relação a rede social. A perfeição não existe. Nós somos assimétricos e imperfeitos. E está tudo bem.”, afirma o dermatologista. Outra ação que pode ser efetiva é se desconectar daquilo que não te faz bem: pra que seguir um casal de namorados apaixonados se você está frustrada com a vida amorosa? Ou aquela blogueira com gominhos na barriga que só faz você se sentir mal? O sentimento de raiva gera uma emoção negativa, o que afeta sua saúde mental.

Lucidez e consciência são as palavras chave para não precisar abandonar totalmente as redes. Defina horários específicos para o uso e não esqueça de desligar a internet pelo menos uma hora antes de ir dormir. E lembre-se, sempre, da auto-aceitação. Ela é um ingrediente básico para a sua felicidade.

Assista ao vídeo do Dr. Gabriel Aribi sobre o impacto das redes sociais na auto-imagem: